terça-feira, 6 de março de 2018

O poderoso chefinho (The Boss Baby)





Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação



A mais recente animação da Dreamworks, O poderoso chefinho  (The Boss Baby), reúne o mundo adulto com o infantil contando a história de um bebê mandão (voz de Alec Baldwin) que chega a uma família e desperta o ciúmes do irmão Tim (Tobey Maguire/  Miles Baksi). Por trás de sua carinha fofinha, esconde um típico gerente empresarial, daqueles bem racionais e arrogantes. Ligeiramente bizarra e engraçada por ter um "bebê com personalidade adulta", a animação mostra que ele tem uma missão na terra e está disposto a infernizar a vida de Tim.

Ainda que o estúdio Dreamworks não realize animações tão incríveis e memoráveis como a Pixar/Disney,  a ideia de "O poderoso chefinho" é bem autêntica pois, por mais louco que pareça, quando um bebê chega a uma família, ele(a) se torna o centro das atenções, como um chefinho bem bonitinho e mimado. É natural os irmãos sentirem ciúmes, insegurança e carência quando chega um novo membro à família. Aqui não é diferente e é exatamente esta a força do filme: aceitação, fraternidade e afeto familiar que superam qualquer indiferença e intolerância.

o poderoso chefinho the boss baby


Mesmo que o poderoso chefinho tenha uma missão para salvar a própria pele e ser promovido, ele também tem a chance de aceitar o afeto de sua família e transformar a sua vida. Como a maioria das animações, o que vale a pena é a transformação durante a jornada. O bebê e Tim têm um tempo para passar juntos e se ajudarem, oportunidade que estão mais conectados e desenvolvem um amor fraternal.


É interessante observar que, por tradição, executivos não costumam ter vidas próprias, seguem ocupados, estressados e ambiciosos, sendo constantemente sugados pelas demandas das empresas e pela culpa. A animação toca nesse aspecto ao tornar uma criança tão adulta e insuportavelmente ligada a resultados empresariais. Há momentos nos quais o bebê chefe é insuportavelmente chato e racional, mas também cheio de um humor ácido.


o poderoso chefinho the boss baby - 2



De alguma forma, pais, filhos e toda a família serão privilegiados ao assistir a este divertido filme pois ele mostra que há valores muito maiores do que o ganho material, a reputação, a aparência e o status. Com essa temática, talvez alguns pais muito ocupados possam repensar a qualidade do tempo que gastam com os seus filhos. Por outro lado, as crianças podem aprender a dividir as coisas e os sentimentos, inclusive respeitar a  atenção dada pelos pais a outros irmãos e familiares.







domingo, 4 de março de 2018

Oráculo do Oscar 2018: Apostas, Favoritos e Surpresas



A forma da água, de Guillermo del Toro, um dos preferidos do Oscar 2018




Dia de Oscar é um dia lindo, não é mesmo? Entre lovers e haters do Oscar, o mais importante é sentar em frente à TV e celebrar a alegria do Cinema. A espera foi grande e hoje é o um dia incrível. Não perca! Às 22 h pelo Canal TNT, você poderá acompanhar a grande festa dos Oscars. MaDame Lumière estará conectada ao facebook  https://www.facebook.com/madamelumiere. Faça uma visitinha lá para acompanhar comentários e impressões sobre a premiação.

Este ano há grandes filmes, mas também há categorias que poderiam estar melhor competitivas, pois é um dos Oscars mais previsíveis em determinadas categorias como ator principal, atriz principal, animação, nas quais constam favoritos que dificilmente perderão as estatuetas. 

MaDame Lumière realizou uma previsão "Oráculo do Oscar 2018" sobre os prováveis ganhadores, meus favoritos e  surpresas.  Já preparou o seu oráculo do Oscar? Se sim, divida conosco!




Frances McDormand e Gary Oldman: 
os titãs e favoritos na grande noite do Oscar




CATEGORIAS EM LONGAS 


MELHOR FILME

Provável ganhador: A forma da água.
Meu favorito (quem deveria ganhar?): Três anúncios para um crime
Surpresa:  Lady Bird - É hora de voar

MELHOR ATOR

Provável ganhador: Gary Oldman, O destino de uma nação
Meu favorito (quem deveria ganhar?): Gary Oldman, O destino de uma nação
Surpresa: Timothée Chalamet, Me chame pelo seu nome


MELHOR ATRIZ

Provável ganhador: Frances McDormand, Três anúncios para um crime
Meu favorito (quem deveria ganhar?): Frances McDormand, Três anúncios para um crime
Surpresa: Saoirse Ronan, Lady Bird - É hora de voar


MELHOR DIRETOR

Provável ganhador: Guillermo del Toro, A forma da água
Meu favorito (quem deveria ganhar?): Paul Thomas Anderson, Trama fantasma 
Surpresa: Greta Gerwig, Lady Bird - É hora de voar


MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Provável ganhador: Três anúncios para um crime
Meu favorito (quem deveria ganhar?): Corra!
Surpresa: Lady Bird - É hora de voar

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Provável ganhador: Me chame pelo seu nome
Meu favorito (quem deveria ganhar?): Me chame pelo seu nome
Surpresa:  Mudbound

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Provável ganhador: Sam Rockwell, Três anúncios para um crime
Meu favorito (quem deveria ganhar?): Sam Rockwell, Três anúncios para um crime
Surpresa:  Willem Dafoe, Projeto Flórida


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Provável ganhador: Allison Janney, Eu, Tonya
Meu favorito (quem deveria ganhar?): Allison Janney, Eu, Tonya
Surpresa:  Mary J Blige,  Mudbound


MELHOR FILME ESTRANGEIRO


Provável ganhador: The Square (Suécia)
Meu favorito (quem deveria ganhar?): Uma mulher fantástica ( Chile)
Surpresa:  O insulto  (Líbano)


MELHOR FOTOGRAFIA

Provável ganhador: Blade Runner 2049 (Roger Deakins)
Meu favorito (quem deveria ganhar?): Mudbound (Rachel Morrison)
Surpresa:  Dunkirk  (Hoyte Van Hoytema)


MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

Provável ganhador: A forma da água
Meu favorito (quem deveria ganhar?): A forma da água
Surpresa:  Blade Runner 2049


MELHORES EFEITOS VISUAIS

Provável ganhador: Blade Runner 2049
Meu favorito (quem deveria ganhar?): Blade Runner 2049
Surpresa:  Planeta dos macacos: A guerra

MELHOR FIGURINO

Provável ganhador: Trama Fantasma
Meu favorito (quem deveria ganhar?): Trama Fantasma
Surpresa:  A forma da água


MELHOR MAQUIAGEM E CABELO

Provável ganhador: O destino de uma nação
Meu favorito (quem deveria ganhar?): O destino de uma nação
Surpresa:  Victoria e Abdul


MELHOR CANÇÃO

Meu favorito (quem deveria ganhar?):  Mighty river, Mudbound


MELHOR EDIÇÃO

Provável ganhador: Dunkirk
Meu favorito (quem deveria ganhar?): Em ritmo de fuga
Surpresa:  Três anúncios para um crime


MELHOR MIXAGEM DE SOM

Provável ganhador: Dunkirk
Meu favorito (quem deveria ganhar?): Dunkirk
Surpresa:  Blade Runner 2049


MELHOR EDIÇÃO DE SOM 

Provável ganhador: Dunkirk
Meu favorito (quem deveria ganhar?): Dunkirk
Surpresa:  Blade Runner 2049


MELHOR ANIMAÇÃO  

Provável ganhador: Viva - a vida é uma festa
Meu favorito (quem deveria ganhar?): Com amor, Van Gogh
Surpresa:  Com amor, Van Gogh


MELHOR TRILHA SONORA

Provável ganhador: A forma da água
Meu favorito (quem deveria ganhar?): Trama Fantasma
Surpresa:  Trama Fantasma


MELHOR DOCUMENTÁRIO

Provável ganhador: Visages Villages
Meu favorito (quem deveria ganhar?): Visages Villages
Surpresa:  Últimos homens em Aleppo




quinta-feira, 1 de março de 2018

Minha vida de Abobrinha (Ma Vie de Cougette)







Por Cristiane Costa,  Editora e blogueira crítica de Cinema, especialista em Comunicação




Adaptação do livro do autor Gilles Paris, "Minha Vida de Abobrinha" (Ma Vie de Cougette) é uma animação produzida em técnica stop motion que se destaca pelo seu resumido e eficiente conto sobre afeto e segunda chance após tragédias familiares. O personagem principal chama-se Icare, mas prefere ser chamado de Abobrinha. Após a morte da mãe, ele é levado a um orfanato onde estão outros órfãos com diferentes e trágicas histórias de vidas.  Solitário e rejeitado pela mãe, Abobrinha é um dócil garoto cuja  única lembrança do pai está estampada em sua pipa. 





A partir do início da animação, o espectador está diante de uma animação que começa com um tom bastante triste para depois resplandecer em esperança e amor. Além do impecável trabalho em stop motion, uma técnica que segue sobrevivente porém cada vez mais rara em um universo cinematográfico povoado por produções em 3 D, "Minha vida de Abobrinha" tem uma forte identidade temática e visual como animação que aborda questões sérias e maduras. 

Abobrinha vem de uma família disfuncional. Sua mãe morre de uma forma trágica e acidental  e já expressava abandono e rejeição pelo filho.  A ausência do pai, fato comum em várias famílias, também é brevemente evidenciada no roteiro.  Assim como o protagonista, todas as crianças do orfanato têm uma função simbólica para retratar distintas disfuncionalidades das famílias afetadas pela pobreza e violência, além das ausências, desafetos e rejeições que as levaram àquele lugar. 

minha vida de abobrinha - ma vie de cougette animação 2

A forma como o filme intercala o equilíbrio, a leveza  e a esperança com o drama trágico e deprimente é bem interessante. O jogo da vida e seus dissabores é aberto nos diálogos ligeiros e sutis que abordam temas fortes como violência e sexo. De uma maneira peculiar, a história dá a entender que Abobrinha matou a mãe, o que gera um incômodo inevitável; assim, de forma muito pertinente, a classificação indicativa do filme no Brasil é a partir dos 10 anos. 

"Minha vida de abobrinha" tem um importante potencial educativo e humanista pois tem um material autêntico, tanto artístico como temático. Apesar dos finais felizes comuns nas animações, nem sempre elas conseguem capturar uma atmosfera depressiva com tanta originalidade e honestidade. Aqui é possível ver isso e notar como a vida é capaz de transformar traumas em recomeços.

minha vida de abobrinha - ma vie de cougette animação 3

É uma bonita animação que tem o diferencial de mostrar a realidade de crianças que vem de lares desfeitos e que encontram um novo lar nesse orfanato através da aceitação, da amizade e do afeto. A partir de um ambiente conhecido como de "rejeitados", a confiança e o amor renascem nesses coraçãozinhos.





segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Top 10 filmes de 2017 dirigidos por mulheres

MaDame Retrospectiva
por Cristiane Costa
(2017)



10 - Jonas  e o circo sem lona, de Paula Gomes

Um belo documentário sobre uma infância que deseja brincar e buscar o circo, mas também é triste e com sonhos desperdiçados.




9 - Era o hotel Cambridge, de Eliane Caffé

Um bom filme manifesto que combina ótima direção de elenco com a atualidade das ocupações e tensões políticas.





8 - Como nossos pais, de Laís Bodanzky

Com sensibilidade e maturidade na direção, a diretora valoriza a voz da mulher moderna e seus mais variados desafiadores papéis.






 7 - Grave (Raw), de Julia Ducournau

Uma das melhores surpresas do cinema independente mistura drama, suspense, horror e um destino humano fatalista.




6 - Divinas Divas, de Leandra Leal

Um documentário comovente com a valorização daquelas que muitas vezes são esquecidas: as artistas travestis.





5 - M
ulher Maravilha, de Patty Jenkins

Um blockbuster completo: excelentes roteiro e direção, poder às mulheres com coragem, amor e desafios e uma heroína graciosa.





4 - O estranho que nós amamos, de Sofia Coppola

Sensualidade, drama e suspense: uma mistura que desperta o desejo e é bem orquestrada com a marca e sutilezas da diretora.




3 - Quase 18, de Kelly Fremon Craig

Um indie teen movie refrescante e honesto, com boa execução. Nasce um novo clássico sobre o amadurecimento do jovem.




2 - Corpo e Alma, de Ildikó Enyedi

Uma história de amor contada de um jeito bem diferente, delicado e surpreendente. Hipnotizante e imperdível!



1 - Toni Erdmann, de Maren Ade

Uma das mais belas histórias sobre pais e filhos. Direção em perfeita sintonia com o duo de atores, Hüller e Simonischek




Esta lista foi elaborada apenas por lançamentos no circuito comercial Brasileiro e/ou VOD e streaming em 2017 e foram consideradas direções e codireções de mulheres.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Top 10 imperdíveis lançamentos VOD/Streaming no Brasil em 2017

MaDame Retrospectiva 
por Cristiane Costa
(2017)



10 - Um contratempo (El contratempo)
de Oriol Paulo

Um suspense tenso com roteiro surpreendente que não subestima a inteligência do espectador. Misterioso na medida certa!




9 - Onde está segunda? (What happened to Monday?/ Seven Sisters)
de Tommy Wirkola

Uma ficção científica bem ajustada à dinâmica ação garante uma diversão imperdível com a heróica performance de Noomi Rapace.



8 - Your name (Kimi no na wa)
de Makoto Shinkai

Animação encantadora e de visual deslumbrante revela o jovem amor que atravessa as barreiras do sonho e da realidade.




7 - Okja, de Joon-ho Bong

Uma fábula contemporânea que revela a ambição da indústria e dos homens, mas também a ternura e a proteção da natureza.




6 - Terra Violenta  (In a valley of violence)
de Ti West

Uma vingança mais do que justa! Um western imperdível para os que também merecem se vingar por afeto, justiça e lealdade.




5 - O túnel (Teo-Neol), de Seong-hun Kim

Um homem preso em um túnel e lutando pela sobrevivência. Quando faltam recursos e bem estar, o que é o humano? 



4 - Grave (Raw)
de Julia  Ducournau

Um filme cru e perturbador, Grave é visceral e demoníaco, mas também desperta compaixão pela natureza humana.





3 - A infância de um líder (The Childhood of a leader)
de Brady Cobert

Com uma direção bem técnica e impecável e  cheia tensão e incômodo, Cobert realiza a jornada de gestão de um terrível líder.




2 - Loving, de Jeff Nichols

Doloroso e sufocante, o filme expressa o aprisionante preconceito racial mas uma força bem maior: a do amor que tudo suporta.




1 - Quase 18 (The Edge of the Seventeen)
de Kelly Fremon Craig

Um coming to age com uma direção refrescante e uma atuação sincera e espontânea da excelente Hailee Steinfeld.



terça-feira, 9 de janeiro de 2018

10 filmes, 0 expectativa, TOP 10 melhores achados em 2017


MaDame Retrospectiva 

por Cristiane Costa

(2017)


Em meio a tantas listas legais de melhores filmes e atuações, esta aqui tem uma característica especial: é uma caixinha de surpresas 100%; em outras palavras,  são filmes dos quais o blog não tinha qualquer expectativa prévia ou interesse e que se apresentaram como ótimos filmes.

Mesmo em casos de diretores já conhecidos como Lasse Hallström, Sophia Coppola e David Mackenzie, os longas foram realmente bons. Vale a pena assistí-los! Para os diretores independentes como os búlgaros Kristina Grozeva e Petar Valchanov e a húngara  Ildiko Enyedi, a seleção demonstra que este lado da Europa continua realizando filmes surpreendentes.

Boa sessão!






10 - Quatro vidas de um cachorro, de Lasse Hallström


Sensível e divertido, o filme tem a boa energia do amigo mais leal do homem e mostra que eles têm propósitos em nossas vidas.




9 - O Castelo de Vidro, de Destin Daniel  Cretton

Todas as famílias carregam alguma disfuncionalidade nos relacionamentos. Neste filme, não seria diferente. Comovente!





8 - Monsieur & MaDame Adelman, de Nicolas Bedos

Uma história de amor que poderia ser a história de qualquer um: totalmente imperfeita e tragicômica.




7 - Glory, de Kristina Grozeva e Petar Valchanov


Corrupção, ganância e descaso com os menos favorecidos em uma Bulgária decadente. Dos excelentes diretores de "A lição".




6 - A qualquer custo, de David Mackenzie

Um western moderníssimo, um "troco na mesma moeda" como crítica às injustiças sobre as quais foi construído os USA.




5 - O estranho que nós amamos, de Sophia Coppola

Do desejo à repugnância por um estranho, a diretora orquestra um filme tenso e sedutor. Grande elenco feminino!






4 - Divinas Divas, de Leandra Leal

Um documentário comovente e surpreendente. Uma direção sensível que recupera o valor das divas. Que bela homenagem!





3 - Corra!, de Jordan Peele


Quem diria que o horror psicológico com uma boa dose de terrir chegaria com uma roupagem tão socialmente contemporânea?





2 - Uma mulher fantástica, de Sebastián Lelio


Além da sublime atuação de Daniela Vega, o filme encanta pela força da voz de uma transexual que perde o amor de sua vida.



1- Corpo e alma, de Ildiko Enyedi


Em um ano de grandes histórias de amor no cinema, esta é uma das mais peculiares e fascinantes. Imperdível!